As 6 tendências no WordPress para 2018

As 6 tendências no WordPress para 2018

Já ouviste falar do Gutenberg?

Não estamos a falar do homem que deu início à revolução da imprensa mas do novo editor visual do WordPress. Se ainda não ouviste, não te preocupes. Vais ouvir falar muito do Projecto Gutenberg ao longo de 2018.

Este será um dos temas fortes do novo ano no mundo WordPress. Ao longo de todo o ano.

Mas há mais.

O sistema de gestão de conteúdos que uma parte importante do mundo prefere está a evoluir depressa.

Sendo a base de mais de 29 por cento de todos os sites online (segundo o W3Techs), o WordPress está determinado a regressar a uma posição de destaque na evolução das tecnologias de publicação na internet.

O WordPress é a base de 29% de todos os sites na Internet
O WordPress é a base de 29% de todos os sites na Internet, segundo o W3Techs

 

As principais tendências que seleccionamos para 2018 no ecossistema WordPress representam uma assinalável aposta em promover a autonomia da facilidade da publicação, a segurança e a forma de como consumimos conteúdos.

Projecto Gutenberg revoluciona a edição (e não só)

O Projecto Gutenberg é uma das mais ambiciosas transformações do WordPress dos últimos anos. Sobretudo porque vai mexer com todos os utilizadores. Desde os mais avançados até aos iniciados.

O Gutenberg é tão importante que a versão 5.0 do WordPress só será lançada quando estiver pronto.

Em rigor, o Gutenberg é mais que o novo editor. Terá impacto em toda a experiência de publicação, incluindo personalizações.

O projecto está dividido em 3 fases:

  • A primeira visa a sua integração no WordPress 5.0 e o seu foco está na implementação de edição de artigos e páginas usando blocos. É a perspectiva do ‘primeiro está o conteúdo’.
  • A segunda etapa aponta à criação de modelos para páginas.
  • A terceira está direccionada à total personalização de sites.

Se tudo correr como previsto pela equipa de desenvolvimento, o Gutenberg será inserido no WordPress em Maio ou Junho de 2018. Nesse momento será lançado o WordPress 5.0 e nada será igual.

Numa fase inicial será algo complexo para quem já usa o WordPress, incluindo os mais experientes. É uma mudança de paradigma de funcionamento.

Mas, num segundo momento, ficará entranhado. É muito provável que em menos de nada estejas a pensar como é que foi possível usar o site durante tanto tempo sem aquilo.

O actual e o futuro editor do WordPress são muito diferentes
O actual e o futuro editor do WordPress são muito diferentes

 

Até lá há ainda muito a fazer. Muitos temas, sejam gratuitos, comerciais ou criados de forma personalizada, terão de registar adaptações. Sem esquecer os milhares de plugins que também terão de evoluir para um ‘novo mundo’.

Entre os plugins em causa está o sempre delicado WooCommerce, que é responsável por operar milhares de lojas online em todo o mundo. As estatísticas do BuilthWith indicam que o WooCommerce é usado em cerca de 42% de todas as lojas online. Com particular realce para as de menor dimensão.

WooCommerce é um dos líderes nas lojas online
WooCommerce é um dos líderes nas lojas online

 

Neste momento é ainda incerto como é que o WooCommerce vai responder a todos os desafios lançados pelo Gutenberg.

Esta é uma mudança com implicações sérias, incluindo na própria economia das empresas que criam software para WordPress…

Page builders entram numa nova dimensão (à boleia do Gutenberg)

Os plugins de ‘page build’ e os temas que integram o seu próprio sistema de criação de páginas são um dos trunfos no crescimento do WordPress. Tornam acessível e prático o processo de construção de sites visualmente apelativos, mesmo por quem não tem conhecimentos de programação e design.

Muitas vezes basta ao utilizador trocar texto e imagens das versões de demonstração desses temas para ficarem com um site funcional.

Foi graças a esta facilidade de utilização e funcionamento que o WordPress cresceu de forma tão rápida

Com o advento do Gutenberg algumas coisas irão mudar.

Alguns page builders irão desaparecer, seguindo o exemplo do Taylor, que anunciou o fim há algumas semanas. Outros terão de evoluir para conseguirem sobreviver e ganhar espaço.

Uma evolução que passará por oferecerem mais, melhor e de forma mais simples que aquilo que o Gutenberg vai permitir. O que, convenhamos, não é fácil.

2018 deverá trazer, pois, mudanças importantes num conjunto alargado de temas e, em particular, de plugins ‘page builder’. Será uma luta intensa pela obtenção das preferências dos utilizadores.

Aumento das preocupações relacionados com a privacidade e protecção de dados (envolve multas)

Um dos grandes desafios que todos os sites terão de enfrentar em 2018 refere-se à obrigatoriedade da aplicação do Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD).

Este é o documento que regula a protecção das pessoas singulares no que diz respeito a:

  • tratamento de dados pessoais
  • livre circulação desses dados

Envolve o universo offline e online.

É fácil saber se o teu site está obrigado a cumprir o regulamento.

Pergunta: O teu site recolhe e/ou reúne um qualquer dado pessoal, incluindo nome e/ou email?

Se a resposta é ‘sim‘, então tens de cumprir as determinações do RGPD.

Se isto é algo destinado a todos os sites, porque é que será uma tendência do WordPress para 2018?

Bom, porque uma das vantagens de usares o WordPress é beneficiares da capacidade de mobilização da sua enorme comunidade. Há, neste momento, muita gente a trabalhar em formas de ajudar os sites a cumprir as regras e evitar as multas, que são pesadas e podem chegar aos 20 milhões de euros.

Nos próximos meses é de esperar a actualização de temas e plugins relacionados com formulários. Além do acentuar das preocupações com a segurança de dados.

No entanto, desta vez não será suficiente instalar e activar um plugin para ficar tudo bem.

É importante conheceres o essencial do RGPD e tomares as devidas providências para evitares problemas futuros.

Embora só seja obrigatório a partir de 25 de Maio, o regulamento está já em vigor e quanto mais depressa iniciares as tarefas necessárias para o fazer respeitar, melhor.

As preocupações com as questões de segurança não devem ficar por aqui.

Aumento do número de sites com HTTPS (porque o Google quer mas não só)

O número de sites a usar o protocolo seguro HTTPS em detrimento do HTTP é cada vez maior, em particular depois de terem surgido serviços como o Let’s Encrypt, que oferece o certificado de segurança gratuitamente.

O HTTPS significa que a troca de dados entre o site e o browser que estás a usar é encriptada e, portanto, com um bom nível de segurança na comunicação.

Diferenças entre HTTP e HTTPS
A principal diferença entre HTTP e HTTPS

 

No verão de 2017 o Google começou a avisar os administradores de sites que não têm certificado de segurança de que serão marcados como “Inseguros” pelo seu navegador, o Chrome.

Se o teu site ainda não tem HTTPS, deves dar os passos necessários para resolver esse problema. É apenas uma questão de tempo até se tornar obrigatório aos olhos dos utilizadores.

O processo não é tão complicado como parece. Ainda para mais quando tens um guia passo a passo para te ajudar.

É verdade que a existência de um certificado de segurança não resolve todos os problemas de segurança dos sites. É apenas uma de muitas camadas. Sendo que outra é a aplicação de um sistema de autenticação a dois passos.

Daí que a questão da segurança dos sites continue a ser uma tendência que passa de ano para ano, a par da questão da adaptação dos sites para os dispositivos móveis.

Vejamos porquê…

Consolidação do ‘primeiro para os dispositivos móveis’ (no topo das prioridades)

Desde há alguns anos que a necessidade de adaptar os sites para os equipamentos móveis, em particular os smartphones, está no topo das prioridades.

Em 2018 não será diferente.

É uma tendência nova? Não, é a continuidade.

O consumo de internet através de smartphones não pára de crescer. Estamos a usar mais os terminais móveis que os computadores para aceder à rede. Algo que acontece desde 2014.

Vamos mais à Internet em equipamentos móveis que em computadores
Vamos mais à Internet em equipamentos móveis que em computadores

 

Logo, o teu site deve ser pensado para funcionar, primeiro, em smartphones. Só depois deves preocupar-te com os restantes.

Sem esquecer que, desde 2016, mais de 60% das pesquisas efectuadas em motores de busca são executadas em mobile.

Porque é que é uma tendência para o novo ano? Porque o ‘móvel em primeiro lugar’ será central em todos as aspectos, incluindo na acessibilidade dos sites, preparando-os para todos os utilizadores, incluindo as pessoas que têm algum tipo de deficiência.

Já agora, estás pronto para um outra forma de ver sites?

Aumento da importância da realidade virtual

A realidade virtual deixou de estar apenas relacionada com a indústria dos jogos e algo do interesse de uns quantos adeptos. Deixou o seu nicho e passou a fazer parte do dia-a-dia de muitas pessoas.

A combinação da realidade virtual com sites em WordPress está em crescimento e, em 2018, é de esperar um incremento da sua relevância. Em particular em sites de viagens, restauração, desporto e comércio online, entre outras áreas.

É verdade que há ainda uns quantos desafios a ultrapassar, como a necessidade de fazer o site adequado para os utilizadores de realidade virtual, a par de todos os outros, aqueles que chegam via dispositivos móveis e computadores. Além disso, há que considerar a largura de banda necessária para uma boa experiência online.

No entanto, se quiseres começar a estudar o assunto podes experimentar alguns plugins:

  • WP-VR-view – permite mostrar imagens e vídeo em 360º no teu site e obter uma experiência de realidade virtual usando Google Cardboard ou similar;
  • MomentoPress – plugin gratuito para mostrar fotos e vídeos em360°;
  • 360º Panoramic Image Viewer – permite adicionar pontos relevantes a imagens estáticas.

Há um longo caminho a percorrer mas algumas dessas etapas podem ser cumpridas já no novo ano.

Conclusão

Depois de 2016 ter sido o ano da REST API  e 2017 ter sido dominado, em parte, pelo início do Projecto Gutenberg, 2018 será marcado pela integração do Gutenberg no WordPress e pela suas inúmeras consequências.

2017 foi um ano em que o WordPress registou ‘dores de crescimento’, com debate intenso e, por vezes, dramático. Não foi o primeiro ano deste tipo e, com toda a certeza, não será o único.

Depois do Gutenberg nada mais será igual no WordPress.